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De passagem por Manaus, especialista português desmistifica a bebida tradicional

Enólogo Português Mario Neves possui quase cinquenta anos de carreira viajando pelas principais vinícolas ao redor do mundo.

Um dos principais especialistas no mundo dos vinhos está em Manaus. O português Mario Neves carrega na bagagem quase cinco décadas viajando pelas principais vinícolas ao redor do planeta. De passagem pela capital amazonense onde participou do Amazonas Wine Meeting, evento que reuniu amantes da bebida na Galeria Cristal do Manauara Shopping na última sexta-feira (6), ele aproveita para desmistificar algumas dúvidas sobre os vinhos e dá dicas de como harmonizar a bebida com pratos na nossa região.

Tida como uma das mais tradicionais e prestigiadas bebidas do mundo, o vinho tem em sua história registros que datam de pelo menos seis mil anos. Segundo Neves, os vinhos eram batizados com o nome do local onde eram produzidos e sua produção tinha como objetivo servir de acompanhamento para as refeições. Essa característica é também um dos principais fatores para a existência de uma rica variedade da bebida.

Qualquer refeição, almoço ou jantar, as pessoas bebiam vinho. Uma coisa interessante é que em regiões como Portugal, Espanha, França e Itália, há centenas de anos, as pessoas não podiam comer sem beber vinho e uma das partes interessantes é que nessas regiões há uma diversidade de vinho muito grande, isso por que quando os vinhos surgiram eram para acompanhar os pratos típicos de cada região, conta Neves.

Com o passar dos anos, a enocultura passou a se espalhar pelos quatro cantos do globo. Na América do Sul, as regiões mais frias como Argentina, Chile e Sul do Brasil passaram a produzir a bebida, que nesse momento deixou de ser mera acompanhante para ser a protagonista. Nos países do novo mundo, entre os quais a Argentina está incluída, o grande crescimento do vinho se deu por encararem a bebida não como acompanhamento da comida, mas como bebida prazer, para se beber sem comida. O estilo de vinho para ser acompanhado com comida é substancialmente diferente do estilo de vinho feito para ser bebido só, esclarece.

Isso, aliado as condições geográficas, impactam diretamente no sabor do produto final. Apesar dessas diferenças, o enólogo esclarece o mito de que vinhos europeus seriam superiores aos produzidos por aqui. O que pode diferenciar a qualidade dos vinhos europeus para os produzidos nos países do novo mundo é a questão geográfica. Às vezes pode chover na altura da safra e isso é o pior inimigo para qualidade do vinho, explica o especialista.

Vinho bom é vinho caro?

O principal mito que cerca o universo dos vinhos é o de que vinho bom é vinho caro. A ideia parte de que o valor está diretamente associado a qualidade do produto final, o que segundo Neves, não se justifica. O enólogo derruba o mito, explicando que os critérios usados hoje em dia para avaliação não se baseiam apenas no preço.

Hoje em dia, os vinhos no mundo são avaliados pela relação preço-qualidade. Pode ver que há vinhos melhores avaliados com preços menores. Eu mesmo tive a experiência de provar um dos vinhos mais caros do mundo, o Chateau Petrus, em encontro com os amigos, onde estávamos fazendo uma prova dele e comparando com um vinho tinto português que custava algo em torno de 50 vezes menos e gostamos mais do vinho português.




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